4 Etapas do Estudo de Guitarra


A eterna busca pela melhor forma de estudar guitarra nunca termina, e sempre temos objetivos diferentes a serem alcançados, o que pode mudar drasticamente nossos hábitos de estudo.

Entretanto, com o tempo, começamos a sentir falta de alguma habilidade ou conhecimento que negligenciamos nos estudos anteriores, e isso pode causar muita frustração e até desistência.

Em primeiro lugar, se você já se sentiu assim: Parabéns! Você é humano!

Passada a melancolia, é hora de arrumar a sua vida e estudar de forma que você consiga recuperar o tempo perdido e, ao mesmo tempo, aprender coisas novas.

Depois de muitos hábitos experimentados, eu sugiro que, a cada sessão de estudo, você divida seu tempo em 4 etapas: Fundamentos, Técnica, Repertório e Percepção. Isso vai garantir que você esteja fazendo o melhor para evitar atrasos e continuar andando pra frente. Não importa o tempo (1 hora, 2 horas, 1000 horas por dia), mas importa que você divida o seu tempo em 4 etapas, e cumpra o que tenha determinado para cada etapa nesse tempo.

A seguir desenvolvo cada etapa com mais detalhes.

Etapa #1: Fundamentos

O estudo de fundamentos é a prática da teoria musical. O assunto é amplo, por isso é muito importante focar em algo simples e trabalhar até o fundamento virar "automático". Estudar algo pela metade só vai atrasar o próximo tópico, por isso faça testes para ver se você realmente já consegue pensar e tocar com rapidez e flexibilidade.

Aqui você pode determinar objetivos como:

  • Dominar intervalos melódicos, tanto mentalmente quanto no braço da guitarra;

  • Memorizar e dominar padrões de escalas;

  • Aprender todos os arpejos (tríades e tétrades);

  • Aprender progressões de acordes mais comuns;

  • Praticar leitura de partitura;

  • Praticar estudos de rítmica.

Trabalhar bem os fundamentos musicais vai lhe proporcionar conhecimento avançado de melodia, ritmo, harmonia e outros fundamentos teóricos. Tudo isso é base para quem quer se tornar um profissional da música e quer evoluir suas habilidades de interpretação, arranjo e composição. Além de facilitar qualquer outra etapa, os fundamentos normalmente requerem apenas um tempo específico de estudo. É como andar de bicicleta! O conhecimento fica pra sempre!

Etapa #2: Técnica

O estudo de técnica é a parte mais prática e mecânica da guitarra. Se você não sabe como fazer algum tipo de som, técnica é a resposta certa. Diferentemente do estudo de fundamentos, se você não for experiente, é bom misturar estudos de técnica para adquirir uma aptidão geral do instrumento. Depois que você já estiver mais confiante, é legal focar nas técnicas de sua preferência ou necessidade.

No estudo de técnica você pode determinar objetivos como:

  • Dominar exercícios de palhetada e/ou mão direita;

  • Aperfeiçoar uma técnica específica, como bend, ligado, tapping, etc.;

  • Aperfeiçoar o uso de dinâmicas.

É importante lembrar que as etapas não são necessariamente separadas. Se você estiver trabalhando padrões de escalas no estudo de fundamentos, pode utilizar o mesmo estudo para aperfeiçoar a técnica de palhetada em escalas. Mas não esqueça de focar corretamente o seu estudo conforme a etapa. Quando chegar a hora da técnica, você vai corrigir sua palhetada, esqueça a escala e o padrão em si.

A técnica é seu portão de acesso à guitarra. Esquecer de praticar técnica é praticamente a mesma coisa que esquecer de tocar guitarra. Ela pode lhe permitir tocar coisas que você nunca estudou antes, por isso pode ser um atalho importante se você não gosta de perder tempo com estudo.

Etapa #3: Repertório

Nada mais importante para um músico do que as músicas que ele toca! O estudo de repertório é muitas vezes negligenciado (inclusive por mim!) porque já está implícito que, ao estudar guitarra, você vai treinar músicas. Para alguns, é natural sair tirando músicas e mais músicas. Mas para outros como eu, é necessário focar parte do estudo para não mergulhar fundo demais na teoria e esquecer do porquê que se está estudando teoria em primeiro lugar!

O estudo de repertório depende muito do seu nível de experiência. É sempre bom escolher uma música que você consiga tocar mas que tenha algum tipo de desafio técnico ou teórico. É muito bom escolher os objetivos das outras etapas a partir das músicas trabalhadas para o seu repertório.

No meu caso, eu preciso memorizar 30 temas para uma prova de doutorado lá no Canadá. Segue o processo que uso para conseguir memoriza-las e toca-las da melhor forma possível:

  1. Escuto cada música, já tentando memorizar os acordes e a melodia;

  2. Numa segunda escuta, me concentro nas tríades de cada acorde da música. Se a música tem um Dó Maior, penso: Dó - Mi - Sol. Repito o processo pensando em tétrades;

  3. Penso nas escalas possíveis para cada acorde. Quanto mais rápida for a minha mente para reconhecer as notas disponíveis, mais fácil será tocar tudo isso.

  4. Finalmente pego a guitarra e repito os passos anteriores. Toco os acordes, inversões, melodia, arpejos e escalas.

  5. Procuro outras interpretações, transcrevo solos que gosto e tento aplicá-los de forma mais livre.

  6. Gravo uma base e fico improvisando e testando os passos anteriores em tempo real.

Claro que esse é um processo bastante avançado. Se você nunca fez nada disso, pegue apenas um passo e trabalhe em várias músicas até se sentir a vontade.

Etapa #4: Percepção

De longe, o estudo de percepção é o mais neglicenciado entre os guitarristas de todas as idades! O que é muito frustrante porque percepção é TUDO.

Desde escutar uma música com muita atenção até ficar repetindo intervalos e treinando solfejo. Isso tudo está incluído no campo da percepção. Basicamente, tudo o que você estudou lá na fase de fundamentos pode ser estudado com mais praticidade se você souber memorizar o som de tudo na sua mente. Percepção é TUDO, não esqueça! E não neglicencie esse estudo.

Segue abaixo alguns objetivos a se alcançar nesta etapa:

  • Memorizar e cantar intervalos, acordes e escalas;

  • Memorizar progressões de acordes;

  • Memorizar tensões de acordes;

  • Memorizar formas de música;

  • Reconhecer timbres e técnicas diferentes;

  • Memorizar solos de improviso (para quem estuda improvisação).

O estudo de percepção pode lhe ajudar a aprender tudo muito mais rápido. Um ouvido bom vai ser útil toda vez que você for tocar com outra pessoa. Mesmo que você não tenha tocado uma música antes, um bom ouvido te permite tocá-la, porque você já ouviu, e o seu ouvido e sua guitarra são um instrumento só.

O que você achou do post de hoje? Tem alguma sugestão de estudo que tenha sido muito proveitosa pra você? Deixe seu comentário abaixo!

Um 2017 bem musical a todos e até a próxima!

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