3 Dicas Para Dominar o Braço da Guitarra


Dando sequência à série de artigos sobre guitarra para iniciantes, vamos falar hoje dos primeiros exercícios voltados ao domínio do braço do nosso instrumento.

Muitos gostam de se atirar de cabeça direto no aprendizado de acordes, escalas e levadas. Com muita razão, afinal são estas as bases para se tocar qualquer música! Porém, é importante entender que o estudo direto de certas coisas mais avançadas pode trazer decepções e causar uma futura desistência do sonho de se tocar guitarra. Não entre nessa!

Coloque o chapéu de aprendiz e lembre-se que tudo é uma descoberta gigante, especialmente quando estamos começando a dominar uma nova arte. Cada detalhe é extremamente importante, e como o único medidor de sucesso é o seu próprio entendimento, não existe atalho... Ou você se esforça para entender e praticar com exatidão, ou não vai ter motivação para seguir em frente!

Minha sugestão para você que está começando é ir procurando as notas da escala de Dó Maior, que muitos chamam de "naturais" por não terem alterações (eu explico isso em outra oportunidade) no braço da guitarra. As notas da escala de Dó Maior são as famosas Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si.

A seguir vou deixar 3 dicas para você achar essas notas de forma rápida e eficiente, sem complicações. Se tiver muita dificuldade, procure uma imagem com os nomes das notas no braço da guitarra. Eu não vou dar essa de bandeja, investigue a sua guitarra!

Dica #1: Tocando em apenas uma corda

Por que tocar em apenas uma corda se temos 6 cordas na guitarra?!?!

Algumas razões:

  1. A forma mais fácil de visualizar as notas musicais é através de uma linha reta. Uma corda na guitarra é uma linha reta.

  2. Em uma corda apenas, existe uma relação direta entre intervalos musicais e movimento espacial no braço da guitarra.

  3. Dessa maneira, não há atalhos ou "shapes" que facilitam a memorização mas atrapalham o entendimento das relações das notas. (Aliás, este é o defeito nº1 que maioria dos guitarristas possuem!)

  4. Praticamente todos os elementos de teoria fundamental podem ser tocados desta forma: intervalos, escalas e arpejos. Dinâmica, timbre, articulações e ritmo são mais fáceis de ser praticados em uma corda.

Existem mais razões para se brincar com apenas uma corda da guitarra, mas eu já estou convencido!

Então vamos lá, como fazer:

  • Localizar as notas Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si ao longo de cada corda da guitarra, uma de cada vez.

  • Procure playbacks (existem vários no YouTube) do acorde de Dó Maior. Em inglês, procure por "C Major playback".

  • Junto com o playback, toque as notas visualizadas anteriormente, uma corda de cada vez. Improvise e crie melodias. Aos poucos você vai se acostumando e criando melodias mais legais. Se gostar de alguma idéia, grave com o seu celular. É assim que você se torna um compositor!

  • Não deixe nenhuma corda de lado. Você vai ter mais facilidade com umas e menos com outras. Procure praticar em todas!

Neste exercício, o seu instrumento é apenas uma corda! Como um sitar!

Dica #2: Tocando em duas cordas vizinhas

Agora que já conhecemos as notas em cada corda individualmente, vamos começar a juntar as peças desse quebra-cabeça!

Não se preocupe, se você praticou bem a primeira dica, essa etapa será muito fácil! Estamos simplesmente juntando duas cordas que você já conhece bem.

O que parece não estar legal ainda é a transição entre uma e outra. Essa é a função deste exercício.

Pegue duas cordas vizinhas - a sexta (Mi) e a quinta (Lá), por exemplo - e continue tocando as mesmas notas. Improvise em cima do playback, crie novas melodias e brinque pra cima e pra baixo do braço da guitarra.

Você vai perceber que, agora, saltos de quartas, quintas e sextas ficaram muito mais fáceis do que em apenas uma corda. E agora você tem de 5 a 6 notas bem embaixo dos dedos, enquanto que em uma corda você tinha no máximo 3!

Porém, um novo desafio aparece: como usar a palheta (da mão direita) na troca de cordas?

Este é um assunto que merece um post separado, mas resumindo, você tem duas opções:

  1. Palhetada Alternada: A próxima palhetada sempre terá sentido inverso à anterior. Se você começou palhetando a primeira nota para baixo, a segunda será para cima. Essa regra se estende a cordas diferentes.

  2. Palhetada Mista: Apesar de utilizar a palhetada alternada quando se está tocando em uma corda, a palhetada mista difere na hora de pular entre uma corda e outra. Quando você estiver passando de uma corda para outra no sentido para baixo, a palhetada será para baixo, independente do sentido da última palhetada. Se você estiver passando para uma corda para cima, a palhetada deverá ser para cima.

Ambas as formas de se usar a palheta são úteis e importantes. Porém, na minha opinião, você se beneficiará mais ao usar a palhetada mista, pois ela exige menos esforço e movimento do braço e pulso para executar praticamente o mesmo som. Quanto menos esforço, melhor! Essa é uma regra que vai valer para toda a sua vida de guitarrista.

Dica #3: Memorize os shapes

A partir de agora, alguns "shapes" ou formatos visuais começam a surgir no braço da guitarra. Por exemplo, se você tocar as notas (Dó - Ré - Fá - Sol) nas cordas Mi (6) e Lá (5), vai perceber que essas notas são "pontos" visuais, e se você ligar esses pontos, vai desenhar um retângulo!

Ao tocar as mesmas notas em outras cordas vizinhas, perceberá que o "shape" do retângulo se repetirá quase sempre! A exceção aqui fica entre as cordas Sol (3) e Si (2), em que o shape se desconfigura e pode acabar até nos confundindo!

Identifique os shapes em cada pedaço do braço da guitarra e procure os mesmo shapes em outras cordas. Você vai perceber que, apesar de parecer um instrumento muito confuso, existe uma lógica espacial na disposição das notas no braço da guitarra. Quanto mais você entender essa lógica, mais rápido conseguirá memorizar tudo e ter liberdade para tocar ao longo do braço do instrumento.

Comece simplesmente repetindo notas da escala (o que você já estava fazendo até aqui) e pule para outras cordas e ache as mesmas notas. É muito provável que o shape seja o mesmo!

Depois de experimentar um pouco com isso, pegue as melodias que você gravou, ou crie novas melodias em duas cordas, e identifique os shapes dessa melodia. Aplique o mesmo shape em outras cordas e descubra formas diferentes de tocar a mesma melodia!

O que achou das dicas?

Comente aqui embaixo e deixe sua opinião! Tem algo que mais lhe chamou atenção ao aplicar essas dicas? Alguma descoberta que possa servir de sugestão para melhorar essa experiência?

Essas dicas são profundamente baseadas no livro "The Advancing Guitarist" de Mick Goodrick. Recomendo a leitura, é um grande livro para guitarristas!

Até a próxima!

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